OUTUBRO ROSA: Minha mãe teve câncer de mama. Isso significa que eu também vou ter?

Histórico da doença entre parentes próximos aumenta o risco e pode mudar o acompanhamento recomendado, mas não representa uma sentença de diagnóstico

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Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, a preocupação muitas vezes alcança também suas filhas e irmãs. Além do receio pela saúde de quem enfrenta a doença, surge uma pergunta difícil de afastar: se aconteceu com ela, também acontecerá comigo?

Ter casos de câncer de mama na família não significa, necessariamente, que a doença seja hereditária. O histórico familiar indica que um ou mais parentes tiveram o tumor. Já o câncer hereditário está relacionado a alterações genéticas que podem ser transmitidas entre as gerações e aumentar a predisposição à doença. Mesmo quando uma mulher herda uma dessas alterações, o diagnóstico não é uma consequência inevitável. 

O que ela pode receber geneticamente é uma tendência maior ao desenvolvimento do câncer, e não o câncer propriamente dito. Por isso, a história da família precisa ser analisada em conjunto com a idade em que os casos ocorreram, o grau de parentesco e a presença de outros tipos de tumor.

“Ter um familiar de primeiro grau com histórico de câncer de mama, como a mãe ou uma irmã, aumenta o risco de desenvolver a doença ao longo da vida, mas não representa uma sentença. Essa informação nos traz um alerta para avaliarmos com mais atenção a história daquela família e definirmos o acompanhamento adequado”, explica a oncologista do CEONC Hospital do Câncer de Cascavel, doutora Jordana Yaguchi Resende.

A maior parte dos casos de câncer de mama não decorre de uma predisposição herdada. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama de caráter hereditário representa entre 5% e 10% do total de diagnósticos. A doença pode estar relacionada a diferentes fatores, entre eles idade, histórico reprodutivo, hábitos de vida, exposições ambientais e alterações genéticas.

É por isso que o aparecimento de um caso isolado na família não confirma a existência de uma síndrome hereditária. A suspeita se torna mais relevante quando há várias mulheres com câncer de mama entre parentes consanguíneos, diagnósticos antes dos 50 anos, casos de câncer de ovário ou câncer de mama em homens.

“Quando o diagnóstico ocorre em uma mãe, irmã ou outra familiar próxima, principalmente em uma idade jovem, pode haver necessidade de iniciar o acompanhamento mais cedo e realizá-lo de forma mais cuidadosa. Em algumas situações, esse rastreamento pode começar por volta dos 30 ou 35 anos, mas a indicação precisa ser individualizada”, orienta a médica.

A idade de início, a frequência e o tipo dos exames não são iguais para todas as mulheres que tiveram casos da doença na família. Essas decisões precisam considerar o conjunto de informações levantadas durante a avaliação médica. Por isso a importância do autocuidado o ano todo.

Conhecer o corpo e a história da família é fundamental

Autoconhecimento também significa buscar informações sobre a saúde da família. Saber quem teve câncer, qual foi o tipo da doença e com que idade recebeu o diagnóstico pode ajudar o médico a identificar situações que exigem acompanhamento diferenciado.

Quando o histórico sugere uma predisposição hereditária, a mulher pode ser encaminhada para uma avaliação genética. Isso não significa que todas as pessoas com casos de câncer na família precisem realizar testes genéticos. Primeiro, o profissional avalia os diagnósticos existentes, o grau de parentesco e a idade em que os tumores surgiram. “Essa avaliação nos ajuda a compreender melhor o risco daquela família e a definir estratégias de prevenção e diagnóstico precoce”, afirma a doutora Jordana.

Conhecer as próprias mamas também faz parte desse cuidado. A mulher deve estar atenta a mudanças como nódulos, alterações na pele ou no formato da mama, retração do mamilo e secreções espontâneas. Essa observação, porém, não substitui a mamografia nem os demais exames indicados para cada idade e condição de saúde.

“Como existem diversas causas possíveis de câncer, o importante é não ignorar uma mudança persistente e manter o acompanhamento em dia”, finaliza a oncologista.