Janeiro Branco prioriza a saúde mental no cuidado oncológico
03/01/2025 09:27 por CeoncAno começa reforçando a importância de integrar o cuidado psicológico no tratamento de pacientes com câncer e seus familiares

Como uma folha em branco, o ano começa oferecendo a oportunidade de reescrever histórias e de dar novos significados à vida de forma geral e à saúde mental. No campo da oncologia, este tema se torna ainda mais relevante, pois o diagnóstico de câncer não afeta apenas o corpo, mas desencadeia transformações profundas no estado emocional do paciente e de sua rede de apoio.
No CEONC Hospital do Câncer, o Janeiro Branco é lembrado como um convite a refletir sobre a necessidade de integrar o cuidado psicológico ao tratamento oncológico. Isso porque a saúde mental desempenha um papel fundamental no tratamento integral, sendo essencial para um atendimento completo e humanizado, uma vez que o câncer é, por si só – segundo a médica psiquiatra Regiane Tiemi Kunz Bereza -, um divisor de águas na vida do paciente e de sua família.
“A ansiedade, o medo e as incertezas – muitas vezes -, se tornam companheiros diários. Por isso, é fundamental que o suporte emocional seja oferecido de forma constante, tanto ao paciente quanto aos seus familiares, para que eles possam lidar com essas emoções e superar os obstáculos que surgem a cada fase do tratamento”, detalha.
Cuidado integral e humanizado
Os pacientes oncológicos enfrentam desafios significativos. A alteração na rotina, a dependência de cuidados de terceiros, o uso de medicamentos que alteram a aparência e, frequentemente, o isolamento social, podem desencadear um sofrimento psicológico profundo.
“Esses fatores, somados ao medo da finitude e à insegurança sobre o futuro, podem gerar sintomas de depressão, ansiedade, distúrbios da autoestima e medo da morte. Por isso, é fundamental fornecer informações claras e orientação para ajudar o paciente a entender suas emoções e tomar decisões de forma mais tranquila”, completa Regiane.
É por isso que o cuidado oncológico vai além do aspecto físico. Ele deve ser integrado ao cuidado emocional, pois tanto o paciente quanto seus familiares enfrentam dificuldades psicológicas intensas durante o tratamento. Muitas vezes, o impacto do diagnóstico e a sobrecarga emocional gerada pela rotina de cuidados podem ser devastadores.
“É fundamental que, além do cuidado com o paciente, seus familiares também recebam suporte emocional. Eles são, muitas vezes, a base de apoio, mas também enfrentam suas próprias angústias e precisam de ferramentas para lidarem com os desafios do processo de cura, tanto para si quanto para o paciente”, reforça a médica.
Cuidar do cuidador
O papel de cuidador exige força emocional e resiliência. No entanto, para poder oferecer o melhor suporte ao paciente, os familiares também precisam cuidar de sua saúde mental. Ao equilibrar o próprio bem-estar emocional, o cuidador ajuda o paciente a enfrentar o câncer. Para isso, algumas atitudes simples podem ser adotadas, como:
Buscar apoio psicológico – É fundamental que os familiares também tenham um espaço para falar sobre suas próprias angústias. Consultas com psicólogos ou apoio psicológico especializado podem ajudar a lidar com o impacto emocional do diagnóstico e do processo de tratamento.
Estabelecer limites – É natural querer fazer o máximo pelo paciente, mas é importante não se sobrecarregar. Estabelecer limites e equilibrar as responsabilidades pode evitar o esgotamento físico e emocional. Numa família, uma dica é dividir tarefas e funções.
Reserve momentos para si – Os familiares precisam dedicar tempo para suas próprias atividades e descanso. Isso pode ser um simples momento de lazer, praticar um hobby, ou até mesmo uma pausa para refletir e respirar. Cuidar de si é essencial para continuar oferecendo apoio ao paciente.
Falar sobre – É importante que os familiares compartilhem suas preocupações e sentimentos com outros membros da família ou amigos próximos. Ter uma rede de apoio é vital para aliviar o peso emocional e evitar o isolamento.
Pratique a autocompaixão – os familiares podem se sentir culpados por não estarem sempre 100% presentes ou por não conseguirem aliviar o sofrimento do paciente. Praticar autocompaixão e entender que estão fazendo o melhor que podem pode ajudar a aliviar esse sentimento.
Ressignificar desafios
O Janeiro Branco, ao chamar a atenção para a saúde mental, é um convite para ressignificar os desafios enfrentados no tratamento oncológico. Para os pacientes e suas famílias, este é um momento para dar novo significado ao processo de cura, integrando cuidados físicos, psicológicos e sociais de forma a tornar o enfrentamento da doença menos complexa.
“Hoje o câncer não é mais uma sentença de morte. Durante o processo de descoberta, tratamento e cura, a doença pode nos ensinar muito sobre resiliência e sobre a importância de cuidar da mente tanto quanto do corpo”, reflete a doutora Regiane.
Ela reforça que tratar o câncer é também uma maneira de aprender a viver com ele e de dar um novo propósito à vida, mesmo diante dos desafios. “Com o apoio emocional adequado, é possível viver esse processo de maneira mais leve e significativa e, sair mais forte de todo o processo”, conclui a médica psiquiatra.