Mesmo no frio, produtores rurais seguem vulneráveis aos efeitos do sol na pele

Cuidar da saúde deve ser rotina também no inverno, pois o frio não bloqueia os raios solares, que continuam agredindo a pele de quem vive da terra

No Paraná, mais de 9 mil pessoas devem ser diagnosticadas com câncer de pele não melanoma até o fim de 2025, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Uma parcela significativa desse risco recai sobre quem trabalha no campo, onde o sol e os defensivos fazem parte da rotina. Com a chegada do inverno – neste mês em que se comemora o Dia do Produtor Rural -, a saúde da pele de quem vive da agricultura merece atenção redobrada.

“Esses trabalhadores enfrentam uma exposição solar crônica, acumulada ao longo dos anos. Mesmo sem sentir o calor direto no rosto em dias de baixa temperatura, os raios ultravioletas continuam atingindo a pele e podem provocar alterações celulares que evoluem para o câncer. O mesmo ocorre em dias nublados”, explica a médica oncologista do CEONC Hospital do Câncer de Cascavel, Jordana Yaguchi Resende.

O câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum no Brasil, representando 31,3% de todos os casos de câncer, seguido pelos de mama feminina (10,5%), próstata (10,2%), cólon e reto (6,5%), pulmão (4,6%) e estômago (3,1%). Em relação à pele, é uma preocupação real e ainda mais significativa para quem vive na região Sul do país, que registra a maior incidência de câncer de pele do Brasil, conforme o INCA. A proporção é de 150 casos a cada 100 mil habitantes.

Cuidados simples, impacto real

Apesar de grave, o câncer de pele tem altas chances de cura,  especialmente quando identificado precocemente. E tudo começa com pequenas atitudes na rotina.

Usar chapéu de aba larga, óculos escuros, roupas com proteção UV e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados são medidas simples e importantes o ano todo.

No caso de quem manipula defensivos agrícolas, os EPIs ajudam a minimizar os danos provocados pelas substâncias que também agridem a pele. Além disso, hábitos de vida saudáveis, com atividade física e alimentação equilibrada fazem parte do “combo” preventivo.

“Recomendamos, além dos acessórios, o uso diário de protetor solar, inclusive em dias nublados. A quantidade ideal é o equivalente a três dedos de produto, aplicado no rosto, pescoço, orelhas, colo e demais áreas expostas”, reforça Jordana. O ideal é reaplicar a cada quatro horas ou após suor intenso ou contato com água.  

Também é essencial estar atento aos sinais do corpo. Manchas que mudam de cor ou tamanho, feridas que não cicatrizam, pintas com bordas irregulares ou que sangram e ínguas merecem avaliação médica.

“Quem tem pele clara, histórico familiar de câncer ou já acumulou muita exposição solar deve fazer acompanhamento anual com um especialista”, orienta a oncologista.