Nem todo nódulo nas mamas é câncer: medo não pode substituir a investigação
08/10/2026 12:00 por Ceonc
Alterações benignas também podem causar caroços e endurecimento nas mamas, mas somente a avaliação médica pode esclarecer o que cada mudança representa
Estamos no mês da prevenção ao câncer de mama. É um período em que aumenta o volume de informações sobre a doença, fala-se mais sobre a importância do diagnóstico precoce e a mulher é estimulada a conhecer o próprio corpo e realizar a mamografia quando indicada. É nesse olhar mais atento que ela pode perceber um nódulo na mama, seja durante o banho, ao trocar de roupa ou em qualquer outro momento. A constatação costuma trazer medo e, junto com ele, quase sempre surge a mesma dúvida: será que é câncer?
Embora essa associação seja imediata, a maioria dos nódulos palpáveis é benigna, segundo o Colégio Americano de Radiologia. Ainda assim, não é possível descobrir apenas pelo toque o que uma nova alteração representa.
“Nem todo nódulo é câncer. Existem diferentes condições benignas que também podem causar nódulos ou endurecimento nas mamas. O correto é buscar uma avaliação médica para entendermos se há necessidade de exames de imagem e o que aquela alteração representa”, explica o médico André Keijy Kajimura Petri, especialista em cirurgia oncológica do CEONC Hospital do Câncer de Cascavel.
A investigação pode envolver exame clínico, mamografia, ultrassonografia ou outros procedimentos, conforme a idade da paciente e as características do nódulo. Caso seja encontrado algo suspeito, novas etapas podem ser necessárias até a confirmação ou o afastamento de um diagnóstico.
“Existe uma distância entre fazer um exame e receber um diagnóstico. A mamografia e os demais exames servem para investigar possíveis alterações. Mesmo quando alguma coisa aparece, ainda precisamos avaliar o que ela significa, porque nem toda alteração encontrada é câncer”, esclarece o médico.
Rastreamento e investigação têm objetivos diferentes
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que, das 4,4 milhões de mamografias realizadas pelo SUS em 2024, 4 milhões foram exames de rastreamento em mulheres sem sintomas. Quando existe um nódulo ou outra mudança na mama, o caminho é diferente.
A mulher precisa passar por uma avaliação profissional, que indicará os exames mais adequados conforme sua idade e as características do sinal percebido. Adiar a consulta por medo apenas prolonga a incerteza e pode retardar uma investigação necessária.
Sinais que pedem avaliação mais rápida
O Ministério da Saúde considera alguns sinais como referência para uma investigação mais rápida. Entre eles estão qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos e, a partir dos 30, caroços que permaneçam por mais de um ciclo menstrual. Nódulos endurecidos, fixos ou que aumentam de tamanho também precisam ser avaliados em mulheres adultas de qualquer idade.
Outros sinais de alerta incluem secreção com sangue em um dos mamilos, mudança no formato ou retração do mamilo, caroços na axila, feridas que não melhoram e aumento progressivo da mama acompanhado de inchaço ou pele com aspecto de casca de laranja. Perceber alguma dessas mudanças não confirma a presença de câncer. Significa que é necessário procurar um profissional de saúde para investigar sua causa.
A atenção aos sinais ganha importância diante do impacto da doença no país. Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de mama apresenta uma taxa de 66,54 novos casos para cada 100 mil mulheres e permanece como a primeira causa de morte por câncer na população feminina brasileira. Embora o risco aumente com a idade, alterações suspeitas precisam ser avaliadas em qualquer fase da vida.
A orientação também traduz o lema escolhido pelo CEONC para o Outubro Rosa deste ano. Com a mensagem “Cuide do que faz você ser você”, o hospital convida as mulheres a não deixarem o cuidado com a própria saúde sempre para depois.
“Conhecer o próprio corpo também faz parte do autocuidado. Ao perceber um nódulo, uma mudança na pele ou no formato da mama, uma secreção ou qualquer alteração persistente, a mulher deve procurar orientação médica”, reforça o doutor André.