Açúcar e câncer: o que você precisa saber
08/09/2026 09:22 por Ceonc
Entenda a relação entre o consumo de açúcar, a glicose utilizada pelas células e os fatores que podem influenciar o risco de desenvolver câncer
“Cortar o açúcar faz o câncer desaparecer?”
Essa é uma dúvida comum que aparece quando se fala sobre alimentação e câncer. A resposta não é tão simples quanto dizer que o açúcar “alimenta” ou “mata” um tumor.
As células do corpo precisam de glicose para produzir energia. As células cancerígenas também utilizam glicose. Isso, no entanto, não significa que comer açúcar faça o câncer crescer ou que retirar o açúcar da alimentação faça um tumor desaparecer.
Então de onde vem essa ideia?
Algumas células cancerígenas consomem mais glicose do que células normais. Esse comportamento, inclusive, é utilizado em alguns exames de imagem para ajudar a identificar áreas do organismo com maior atividade metabólica.
O ponto é que a glicose não vem apenas do açúcar que colocamos no café ou nos doces. O organismo também produz glicose a partir de outros nutrientes, como carboidratos e proteínas.
Por isso, retirar completamente os carboidratos da alimentação não significa retirar a glicose do organismo.
E o açúcar pode aumentar o risco de câncer?
A relação existe, mas não da forma como costuma ser apresentada.
Uma alimentação com excesso de açúcar pode contribuir para o ganho de peso. O excesso de peso e a obesidade estão associados a um risco maior de desenvolver vários tipos de câncer.
Além disso, uma alimentação com muito açúcar pode ocupar o espaço de alimentos que fornecem nutrientes importantes para a alimentação, como frutas, verduras, legumes, grãos e outros alimentos in natura ou minimamente processados.
Por isso, quando falamos em prevenção, a recomendação não é simplesmente “corte o açúcar para não ter câncer”. O foco deve estar no conjunto da alimentação e dos hábitos de vida.
E quem já tem câncer precisa parar de comer açúcar?
Não há evidências de que retirar o açúcar da alimentação faça um câncer diminuir ou que comer açúcar faça o câncer piorar diretamente. Também não há evidências de que uma dieta sem carboidratos substitua o tratamento indicado pela equipe médica.
Durante o tratamento, a alimentação deve considerar as necessidades de cada pessoa, o tipo de câncer, o tratamento realizado e possíveis efeitos colaterais.
Por isso, mudanças na alimentação devem ser discutidas com a equipe que acompanha o paciente, principalmente quando envolvem dietas restritivas.
O açúcar, portanto, não deve ser tratado como uma causa isolada do câncer nem como algo que precisa ser eliminado para combater a doença. A relação entre alimentação e câncer envolve diferentes fatores, e a prevenção passa pelo conjunto das escolhas ao longo do tempo.