O que a genética consegue descobrir sobre o risco de câncer?
10/09/2026 10:00 por Ceonc
A análise genética pode identificar alterações associadas a uma maior predisposição para alguns tipos de câncer e ajudar a definir estratégias de acompanhamento
Quando falamos em genética e câncer, é importante diferenciar duas situações: alterações genéticas que surgem ao longo da vida e alterações que podem ser herdadas e aumentar a predisposição para determinados tipos de câncer.
Algumas pessoas nascem com variantes genéticas que podem aumentar a chance de desenvolver certos tumores. É o caso de alterações em genes como BRCA1 e BRCA2, que estão relacionadas a um risco maior para câncer de mama e ovário, entre outros. Existem também outros genes associados a síndromes hereditárias de predisposição ao câncer.
A investigação genética pode ser considerada principalmente quando existe uma história pessoal ou familiar que levanta essa possibilidade. Casos de câncer em idade mais jovem, determinados tipos de tumores, vários familiares afetados ou a ocorrência de diferentes tipos de câncer na mesma família podem ser alguns dos fatores avaliados por um profissional.
O teste genético prevê se uma pessoa terá câncer?
Não necessariamente.
Encontrar uma variante associada ao risco não significa que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá câncer. Da mesma forma, não encontrar uma alteração genética conhecida não significa risco zero.
O resultado precisa ser interpretado junto com a história pessoal, o histórico familiar e outros fatores. Por isso, o teste genético não deve ser feito de forma isolada, sem orientação.
E o que muda quando existe uma alteração genética?
Dependendo do resultado, pode ser indicado um acompanhamento diferente, com exames de rastreamento iniciados mais cedo ou realizados com maior frequência. Em algumas situações, também podem ser discutidas estratégias de redução de risco.
Por isso, conhecer o histórico de câncer da família é importante. Informações como quem teve câncer, qual foi o tipo de tumor e em que idade recebeu o diagnóstico podem ajudar o profissional a identificar quando uma investigação genética faz sentido.
A genética não determina o futuro de uma pessoa. Ela pode ajudar a identificar predisposições e orientar estratégias de acompanhamento e prevenção.
Se existe histórico de câncer na sua família, converse com um profissional de saúde para entender se há indicação de avaliação genética.